Heinrich Heine Tecelões da Silésia

Sem nos olhos sombrios terem lágrimas, 
eles movem o tear, rangendo os dentes: 
– Alemanha, tecemos-te a mortalha, 
lançando contra ti três maldições. 

Tecemos, tecemos. 

Maldição para o Deus ao qual rezamos 
no frio inverno e em meio da miséria. 
Esperamos em vão o seu socorro. 
A todos iludiu, zombou de todos. 

Tecemos, tecemos. 

Maldição para o rei que é só dos ricos, 
que a pobreza despreza altivamente, 
arrancando nossa última moeda, 
e, como cães, nos manda fuzilar! 

Tecemos, tecemos. 

Maldição para a pátria que nos trai, 
e com suas infâmias nos humilha, 
onde as flores fenecem muito cedo, 
e a podridão os vermes, alimenta. 

Tecemos, tecemos. 

Voa a naveta. O tear está rangendo. 
Tecemos sem parar, velha Alemanha, 
tua negra mortalha, noite e dia, 
lançando contra ti três maldições! 

Tecemos, tecemos. 

 

*Poeta alemão, escritor, jornalista e pensador (nascido Harry, em 1797; falecido, em 1856) – foi uma das personalidades mais fascinantes e contraditórias do século XIX. Recebeu elogio de pelo seu poema dedicado aos

Fonte: https://goo.gl/neXEEU

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