NICANOR PARRA (1914-2018)

Faleceu, em 23 de janeiro de 2018, o . O irmão mais velho da cantora Violeta Parra, ficou conhecido pelos livros Cancionero sin nombre (1937), y antipoemas (1954), Canciones rusas (1967), El anti-Lázaro (1981), Poesía política (1983), etc. Em suas obras predominam os antipoemas, em que recorre a poesia para constituir uma crítica contundente tanto à sociedade de classes quanto ao mundo da poesia latino-americana dedicada ao grandiloquente. Pela mediação de sua poesia, Nicanor Parra trouxe a poesia do céu para a terra e constituiu sua poesia do coloquial mundo prosaico.

“Durante medio siglo
la poesía fue
el paraíso del tonto solemne.
Hasta que vine yo
y me instalé con mi montaña rusa.

Suban, si les parece.
Claro que yo no respondo si bajan
echando sangre por boca y narices.”

Fonte: https://www.eupassarinho.org/poesiadeluta/poetas/nicanor-parra/

AUTO-RETRATO
(Nicanor Parra, Chile, 1914-2018 )

Considere, garotos,
esta língua roída pelo câncer:
sou professor em um colégio obscuro
perdi a voz dando aulas.
(Afinal – ou só pra começar –
faço quarenta horas semanais.)
Que lhes parece minha cara humilhada?,
verdade que inspira lástima, olhem pra mim!

E que dizem deste nariz podre
pela cal do giz degradante.

Em matéria de olhos, a três metros
não reconheço nem a minha própia mãe.
Que me acontece? Nada!
Os arruinei dando aulas:
a luz ruim, o sol,
a venenosa lua miserável.
E tudo para quê!
para ganhar um pão imperdoável
duro como a cara do burguês
e com sabor e com cheiro de sangue.

Para que nascemos como homens
se nos dão uma morte de animais!

Pelo excesso de trabalho, às vezes
vejo formas estranhas no ar,
ouço corridas loucas,
risadas, conversas criminais.
Observem estas mãos
e estes bochechas brancas de cadáver,
estes escassos cabelos que me sobram,
estas negras rugas infernais!
No entanto, eu fui assim como vocês,
jovem, cheio de belos ideais,
soava como o cobre se fundindo
e limando as caras do diamante:
aqui me têm hoje
detrás desta mesona desconfortável
embrutecido pela ladainha
das quinhentas horas semanais.

Tradução de Jeff Vasques

EL HOMBRE IMAGINARIO

El hombre imaginario
vive en una mansión imaginaria
rodeada de árboles imaginarios
a la orilla de un río imaginario

De los muros que son imaginarios
penden antiguos cuadros imaginarios
irreparables grietas imaginarias
que representan hechos imaginarios
ocurridos en mundos imaginarios
en lugares y tiempos imaginarios

Todas las tardes tardes imaginarias
sube las escaleras imaginarias
y se asoma al balcón imaginario
a mirar el paisaje imaginario
que consiste en un valle imaginario
circundado de cerros imaginarios

Sombras imaginarias
vienen por el camino imaginario
entonando canciones imaginarias
a la muerte del sol imaginario

Y en las noches de luna imaginaria
sueña con la mujer imaginaria
que le brindó su amor imaginario
vuelve a sentir ese mismo dolor
ese mismo placer imaginario
y vuelve a palpitar
el corazón del hombre imaginario.

Mais poesias de Nicanor: http://eupassarin.wordpress.com/tag/nicanor-parra/

Fonte da Imagem: https://www.eupassarinho.org/poesiadeluta/poetas/nicanor-parra/

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